Quem estiver a ler estas linhas que aqui escrevemos, concordará certamente que Bill Callahan dispensa qualquer tipo de apresentação. Após vinte anos refugiado por detrás dos Smog e pela estética low-fi, Bill Callahan, ilustre conhecido por estas paragens, lança-se em nome próprio para editar em 2007, o belíssimo “Whoke on a Whale Heart”. Em 2009 regressa com “I Wish We Were An Eagle”, outro compêndio de belas canções indie-folk e que foi por muito boa gente, considerado um dos álbuns do ano. As suas canções evocam o amor, a natureza, as pessoas e a religião, temas queridos a um songwriter que se preze, contadas com uma boa dose de humor negro à mistura. Admirado por gente como Joanna Newsom ou Cat Power, Bill Callahan assume-se como um mestre na arte de compor temas simples e de uma beleza extraordinária, que poderão ser ouvidos no aconchego do mais recôndito dos lugares, tal como o refugio do Festival Para Gente Sentada.
Ilustre conhecido por estes lados, Perry Blake é uma espécie de encontro entre Scott Walker e David Bowie, mergulhado num ambiente “Nymaniano”. Irlandês de nascença, Perry Blake conseguiu gerar um culto massivo à sua volta, logo na edição do primeiro álbum, de título homónimo, lançado em 1998, fazendo também as delícias da crítica especializada, chegando mesmo a ser considerado uma estrela em ascensão. Com cinco álbuns de estúdio editados, uma banda sonora para o filme “Presque Rien” e um disco gravado ao vivo com uma orquestra no Cirque Royale em Bruxelas, Perry Blake chega a 2010 pronto para lançar o sexto álbum da sua carreira, 'St. Mary & Milk'. Agora com uma sonoridade mais orientada para a country folk americana, o músico afasta-se assim das influências da música ao estilo cabaret e de bandas sonoras de filmes das décadas de 60 e 70, que o inspiraram durante mais de uma década. Para o concerto que vai realizar no Festival Para Gente Sentada, no próximo dia 26 de Fevereiro, os apreciadores do trabalho de Perry Blake terão uma oportunidade única de ver e ouvir o artista num formato mais intimista, onde se fará acompanhar pelo talentoso pianista jazz Phil Ware.
Matt Valentine & Erika Elder (MV & EE), dão-nos o prazer de no dia 26 de Fevereiro, vir ao Festival Para Gente Sentada apresentar “Barn Nova”! Editado pela Ecstatic Peace, de Thurston Moore, se não é a coisa mais acessível que Matt edita, não anda muito longe. Desafiamos qualquer um a encontrar alguém mais original, experiente, íntegro e visionário na folk americana nos últimos quinze anos. O show deste duo é absolutamente fantástico, simples e muito calmo. É melódico mas com espaço para algumas liberdades que só lhes ficam bem. Com estes dois génios em palco teremos a história da cultura popular rústica americana dos últimos cem anos, a cada segundo de música. Acreditem que vão ficar encantados!
Formados em 1996, os escoceses Camera Obscura, seguidores de uma estética onde navegam uns Belle & Sebastian, trazem ao Festival Para Gente Sentada, um compêndio de canções indie-pop singela de rara beleza. “My Maudlin Career”, o último disco deste quinteto apadrinhado pelo saudoso John Peel, será o mote para este espectáculo, que no entanto, não deixará de resumir os catorze anos de carreira. Apesar de várias mudanças na sua formação e das constantes associações à banda de Stuart Murdoch, os Camera Obscura não deixaram de dar continuidade ao excelente trabalho que faz com que o seu repertório seja alvo constante do apreço dos media e do publico em geral. A não perder no dia 27 de Fevereiro, no local do costume, em Santa Maria da Feira.
Os britânicos Dakota Suite, centrados na figura do seu mentor Chris Hooson, são um dos projectos que a par dos Red House Painters, Low e American Music Club, lideram o movimento sadcore. As suas canções envoltas em melancolia, falam das tragédias pessoais de Chris e, imagine-se, das glórias e infortúnios do seu clube de coração, o Everton FC. Com uma carreira que já conta com nove álbuns editados, os Dakota Suite passam pelo palco do Festival Para Gente Sentada, no dia 27 de Fevereiro, para um concerto onde serão cantadas histórias de vida em ambiente intimista, na primeira pessoa, por alguém que não faz da música uma prioridade, mas que para nós é essencial!
David Santos, a.k.a Noiserv, é um artista multifacetado! Desde 2005 a desenvolver as bases para um dos projectos mais inovadores no panorama artístico nacional, David consegue, por entre caixas de ritmos, sintetizadores, megafones, guitarras, acordeões e tudo o mais que lhe vier à mente, criar melodias com raízes na tradição folk contemporânea, de um apelo sincero e de uma pureza sublime incapaz de deixar alguém indiferente. "One Hundred Miles From Thoughtlessness", lançado em Outubro de 2008, em edição de autor, com apoio da Merzbau, resume em onze canções, a genialidade de Noiserv, a ser comprovada no dia 27 de Fevereiro no Festival Para Gente Sentada.